
Em 2009, quando procurava fotos para uma pesquisa sobre o Portage Park, mais importante parque de Chicago, EUA, John Maloof arrematou por meros US$ 400 uma caixa de negativos e rolos de filmes num leilão. Achou que as fotos iriam ajudá-lo na sua pesquisa sobre o parque e a cidade, mas acabou encontrando muito mais que isso. Ele tinha acabado de adquirir o acervo praticamente completo de uma fotógrafa que viveu no anonimato, e morreu no mesmo ano que as suas fotos foram parar nas mãos desse pesquisador. Morreu sem nunca ter o reconhecimento pelos cerca de 150 mil negativos, centenas de rolos de filmes não revelados e tudo mais que estavam naquela caixa.
Isso porquê, até onde o John Maloof descobriu, a autora de todo esse material nunca trabalhou como fotógrafa, não teve nenhuma educação formal no assunto, e sequer mostrou o que fotografava para os outros em vida. Ela, Vivian Maier, foi uma babá durante cerca de 40 anos. E ele só conseguiu resgatar todas essas informações por ter ficado impressionado com a qualidade das fotos que encontrou na caixa. Percebeu que não eram apenas fotos documentais, mas sim um registro do cotidiano pessoal, sensível e, porque não, artístico. Resolveu procurar no Flickr pessoas que talvez pudessem ajudá-lo a identificar a autora das fotos, e consequentemente sua biografia.



Três anos depois e esse achado já é uma coleção de repercussão e reconhecimento internacional, ao ponto de alguns críticos de arte colocarem a Vivian Maier no topo da história da fotografia, junto de gente como Henri Cartier-Bresson e Walker Evans. Exagero ou não, fato é que as fotos realmente impressionam, principalmente pela sensibilidade que aparece tanto nos assuntos que ela escolhia fotografar quanto na construção dos seus enquadramentos. Ainda falta muito para todas as fotos da caixa terem o destino que merecem, já que o processo de ampliação, revelação e catalogação é lento. Mas boa parte do que já está resgatado dá pra ver no site oficial do projeto, www.vivianmaier.com.



Talvez essa história seja um pouco velha e alguns de vocês já tenham visto antes, mas não custa colocar aqui. Eu, que nunca soube disso (li essa semana no O Esquema, fiquei impressionado em todos os sentidos. Acho que não existe melhor inspiração do que essa. Isso para quem sabe quão difícil é desenvolver seu olhar, encontrar o seu espaço nesse mundo, e ter a atenção dos outros para o que a gente faz. Reconhecimento talvez sequer chegue em vida, mas nem por isso não vale a pena continuar fazendo, certo?















Fotografias pra depois da vida. http://t.co/csVVGOdz
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Inspire-se na fotógrafa babá, já falecida, descoberta em um leilão. Belíssimas fotos | http://t.co/PXnXtVTT
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