
Foto: Kathryn MacLeod
“The cover is its own animal. I learned early on at Rolling Stone that the cover really did sort of represent the magazine.
The first thing that happened in magazine work was that the subjects started to gain a certain kind of control. It went from that to the magazines needing to have fashion credits. I think that was the real death of the portrait. I’ve been told point-blank to put something on someone. What became even worse was the subject began to expect that there would be clothes there for them. Every single shooting was a makeover to the point where if it was done thoughtlessly or not very well you didn’t recognize the person any longer. When you looked at the early Avedon portraits and the Penn portraits, those people are in their own clothing, and their clothing is part of who they are. So that was a really significant loss. Also a loss in that you’re spending your time trying on clothes and doing hair and makeup instead of thinking about… Actually, I think there’s no more thinking involved at all, quite honestly. Everyone gets worn down.”“A capa tem vida própria. Aprendi muito cedo na Rolling Stone que a capa realmente representa a revista, de certa forma. A primeira coisa que aconteceu na fotografia de revista foi que os fotografados conquistaram um certo controle. Foi disso para as revistas precisarem ter créditos de moda. Acho que aí foi a verdadeira morte do retrato. Fui instruída a colocar uma roupa em alguém, sem exceções. O que piorou ainda mais foi o fotografado esperar que tenha roupas separadas para ele. Toda sessão de fotos era um makeover completo, ao ponto de correr o risco de a pessoa ficar irreconhecível, caso a produção fosse mal feita ou mal pensada. Quando você olha para os primeiros retratos do Richard Avedon e do Irving Penn, você vê pessoas usando suas próprias roupas, e elas são parte deles, do que eles são. Isso foi uma perda realmente significativa. Também uma perda no sentido de que você está gastando muito mais o seu tempo experimentando roupas e arrumando cabelo e maquiagem do que pensando… Na verdade, acho que não há mais pensamento algum envolvido, pra ser muito sincera. Todo mundo acaba sendo produzido.
Peguei essa frase enquanto matava o tempo numa livraria e, pra ser muito sincero, me falou o óbvio que eu precisava ouvir. Afinal, pra onde será que a gente tá indo quando o assunto é fotografia/retrato? Cada dia mais se espera a beleza antes de qualquer coisa, sendo que, se pararmos pra pensar, um retrato não precisa ser necessariamente belo. Mais importante que isso é ele ser sincero, coisa que parece causar medo em qualquer fotografado. Falo isso porque, pelo pouco de experiência que tenho, vejo gente que não necessariamente é nem uma personalidade pública se preocupar demais com isso. Acho um pouco triste ver a fotografia trilhar esse caminho, só isso. Pronto, desabafei!

Susan Sontag por Annie Leibovitz

Nicole Kidman por Annie Leibovitz
A primeira foto é da Susan Sontag, intelectual americana que viveu por anos com a Annie Leibovitz, e morreu em 2004 de um câncer incurável. A outra é a Nicole Kidman quando concorria para o Oscar, em 2004, quando ganhou pelo As Horas. Dizem que ela voou correndo para os Estados Unidos para fazer essa foto. Linda, mas será que reflete alguma coisa do que realmente é a Nicole Kidman? Acho no mínimo admirável ver a Annie Leibovitz assumir esse lado tão “vazio” de um retrato que ela mesma ajudou a criar, e que ela faz como ninguém. Mas, pra mim, é nítida a diferença entre uma foto e outra. Escolhi colocar aqui o retrato da Susan Sontag porque esse me acompanha há séculos. Gosto de muitos outros, mas esse sempre me chamou a atenção, e eu até hoje não sei dizer exatamente o motivo pra isso. Só sei que é muito mais forte ver essa mulher num negativo rachado do que a outra num vestido de calda.











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