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Maximalismo e decorativismo

Brilho, maxi bijoux, estampas multicoloridas, plumas, peles, spikes, bordados mil. Sim, a moda está over! É só prestar atenção em tudo que é tendência pra perceber que é hora de “abusar”, sem medo de parecer cafona.

Tanta opulência foi surgindo aos poucos, em doses (quase) homeopáticas. É só buscar na nossa “memória fashion” recente que fica fácil ver a linha ascendente que o exagero vem traçando nas passarelas e na vida real – muito provavelmente para depois sofrer uma queda brusca e dar boas-vindas a uma nova onda minimalista  (mas isso é papo para outros posts).

Quem não lembra que as macrobijuterias surgiram lá atrás e deviam ser usadas com parcimônia, principalmente para dar um up em looks basicões (geralmente o combo jeans+camiseta branca)?

O colarzão ou o brincão devia ser usado sozinho, como destaque principal, e a gente devia tomar muito cuidado pra não pesar a mão nos outros acessórios. Com o tempo, as mais antenadas começaram a usar o colarzão por cima de blusas estampadas e as maxi bijoux se tornaram complemento “básico” de looks nem tão básicos assim.

Sem falar no mix de pulseiras, que surgiu nesse meio tempo e passou a ocupar (bastante) espaço nos pulsos das meninas, que muitas vezes também carregavam algum maxi colar ou brinco compridão. Ah, sim! E os anéis, que cresceram, ocupando mais de um dedo, e também são usados aos montes?!

Foi então que marcas como Tom Binns, Erickson Beamon e Buttler & Wilson, com suas bijoux espalhafatosas feitas com pedras neon, passaram a figurar em muitasssss listinhas de desejo.

Acha que chegamos ao ápice? Nãnãninãnão. Depois disso tudo, grandes marcas como Dolce & Gabbana, Miu Miu e Prada apresentaram em seus desfiles mega bijoux com cara de jóias falsas. A Prada, por sinal, “avacalhou” de vez, e propôs o uso de suas bijuterias cintilantes em conjunto, seguindo aquela fórmula – até pouco tempo considerada cafona – de combinar os brincos com colar. Over ao quadrado!

Mega acessórios nos desfiles de inverno 2013 da Dolce & Gabbana

As estampas também foram crescendo e aparecendo pouco a pouco. Em um curto período, tiveram seus momentos as estampas liberty, a xadrez, a paisley, as animais, as geométricas, as listras, as abstratas, as de estrelas, as étnicas, as florais, as tropicais e por aí vai. Creio eu, que essa enorme variedade de “estampas-desejo” já poderiam ser consideradas “demais”, porém, como exagero pouco é bobagem, logicamente usamos e abusamos delas em conjunto, em looks que traziam o famoso mix de estampas ou que tinham a mesma estampa dos pés à cabeça.

Sem falar nas cores. As listras viraram um arco-íris nas peças da Prada e as estampas de bichos ganharam cores surreais. Tudo muito exuberante!

Como se não bastasse, agora, as estampas ganharam bordados e o que já era ousado ficou over. Peças com maxi flores multicoloridas ganharam aplicações, blazers com estampa de onça são rebordados com paetês e saias com estampas étnicas ganham pequenas peças reluzentes.

E por falar em bordados e brilhos, também foi lá atrás (pelo menos no calendário fashion, que corre cada vez mais rápido) que os micro vestidos bordados de paetês arrebataram corações. Geralmente todo preto ou – no máximo dos máximos – reluzindo em dourado, os vestidinhos de paetê, num primeiro momento, ganharam as noites.

A partir daí, o brilho (não só dos paetês, mas também do lurex e dos tecidos metalizados) passou a figurar como macrotendência das últimas temporadas e o paetê começou a aparecer em blusas, saias e em muitas peças com corte mais “despojado”, fazendo que o bordado tivesse passe livre durante o dia.

O efeito cascata foi óbvio: se eu uso sainha de paetê dourado no dia-a-dia, à noite eu quero é um vestido poderoso, rico no brilho, na cor e na forma. Foi então que os bordados nos vestidos ganharam novos ares e a opulência do barraco e os grafismos e cores poderosas do art déco passaram a servir de referência para a moda. Os bordados ficaram tão, mas tão superlativos, que começaram a ser chamados de 3D, já que conferem textura caprichada às peças. O minimalismo passa looooonge.

Além disso, não podemos nos esquecer dos sapatos e bolsas. Para a maioria das mulheres esses dois itens tinham que ser preto, marrom ou caramelo e de preferência bem básicos, para encarar com flexibilidade o dia-a-dia. Daí, há algum tempo, virou mania quebrar um look total black com algum sapato ou bolsa colorido.

Foi então que passou a ser normal investir numa bolsa vermelha, numa sapatilha verde bandeira, numa rasteirinha amarela e numa maxi clutch azul royal. Esses (poucos) itens eram usados com cautela e serviam só pra trazer certa graça a um look mais “apagadinho”. Tudo isso até surgir o color blocking. Aí a coisa virou uma loucura! A bolsa vermelha passou a ser usada junto com a sapatilha verde bandeira e muita gente começou a sentir falta de um scarpin branco, de uma bolsa laranja, de uma clutch roxa e de uma sandália com tiras coloridas pra chamar de sua.

E os sapatos “de festa”, então? A grande maiorias das mortais tinha dois ou três sapatos “mais finos” e, talvez, duas clutches que ficavam guardadinhos no fundo do armário esperando um grande evento. Pois agora, com o brilho liberado durante o dia, sapatilha de glitter pode ser usada sob o sol do meio-dia, scarpin com spike pode ser ótimo para compor um look “jantarzinho com os amigos” e a clutch de paetê pode até te acompanhar num passeio pelo shopping.

Para ser considerado de “festa” sapatos e bolsas precisam ser escandalosamente poderosos, cheios de brilho, aplicações e, talvez, cravejados com muitos cristais Swarovski. E mesmo assim, quem sabe, ainda é permitido que você saia com ele para bater perna durante o dia.

Pois é, com toda certeza, o decorativismo está em alta na moda. É hora de exagerar e abusar das roupas “dramáticas”, brilhantes e poderosas, tudo-ao-mesmo-tempo-e-agora. Definitivamente, é in ser over - pelo menos por enquanto. Aproveite enquanto é tempo e viva com prazer os dias de excesso!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Logicamente, eu não aconselho ninguém a fazer a Anna Dello Russo e sair montada na saia bordada, na camisa de flor, no blazer de onça, na clutch brilhante, no sapato com spikes e com uma melancia na cabeça. A ideia desse post é inspirar vocês a se divertirem e arriscarem um pouco mais na hora de montar os looks – já que estamos num momento propício para isso. Não custa avisar, né?!

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5 comentários para “Maximalismo e decorativismo”

  1. Maria
  2. Tendência inverno 2012: parkas – Moda – Fashion4Fun

    [...] ampla e recheada de bolsos utilitários. A peça é bem “rústica” e diante desse movimento decorativista e exagerado pelo qual a moda passa é até estranho dizer que a peça está em alta, mas – veja só [...]

  3. nina

    adoro todo esse exagero lindo demais

  4. Marcela

    Uma aula de maximalismo hem? Amei todos os pontos abordados, e também concordo contigo que daqui à pouco tudo isso vai sumir de uma hora pra outra, e a onda minimal vai renascer das cinzas! Até acredito na volta do minimal Alexander Wang porque não?
    Beijos

  5. Gabriela

    E que aula!!!! Excelente texto e ótima observação no fim do post
    B-jin

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