
Ok, estou atrasado, mas li o post que a Lolô fez esses tempos sobre a moda de passarela, o conceito disso, e porquê ela existe mesmo sem aparecer no dia-a-dia, e resolvi me meter na história também, pra gente continuar a discussão. Afinal de contas, nada mais importante do que uma discussão dessas pra entender esse fascínio que a moda gera.
Eu concordo com praticamente tudo que a Lolô escreveu, começando pela explicação dela do que é o conceito que se apresenta num desfile, e do quanto a moda é um espaço criativo, de ideias livres, mesmo sendo parte do mercado de consumo. Mas, pensando muito nisso tudo, acho que discordo do status que a moda tem de ser uma arte. Mas ela chega perto. Arte e moda estão constantemente se confundindo.
Sim, ela é um espaço criativo, e acho até que, hoje em dia, é um dos espaços que mais estimulam a criatividade e a liberdade de expressão. Mas será que isso é arte mesmo? Penso assim porque, antes de mais nada, a moda tem, sim, uma função social, e das mais simples. Afinal de contas, ela existe porque a gente sente necessidade de se vestir 99% do nosso tempo, tanto na rua quanto em casa. E isso dá espaço pra vontade que a gente tem de mostrar por meio dela um pouco da nossa personalidade, ou o máximo que a gente conseguir.
Tá, muita gente pode discordar, dizer que se veste sem se preocupar com isso, etc. Mas esses que me desculpem, porque mesmo quando você compra calça de moleton e camiseta branca pra sair na rua, você está dizendo alguma coisa, que seja “eu não me importo com aparência”, mas está se expressando, e está falando de moda. O raciocínio é tão simples que basta entender que, mesmo tendo toda a bagagem intelectual do mundo, sua aparência é mesmo a primeira parte de você vista pelo outro. Não tem como fugir dela, seja isso bom ou ruim.

Moda de Rua, The Sartorialist. Ousadia ou não, eles estão dizendo muito ao se vestirem assim!
Então, voltando pra questão da arte, acho que a moda tem uma base muito determinada e imutável: o corpo. Não importa quão criativa seja a sua ideia, ela vai ser colocada nessa forma. E aí vem a parte que eu considero mais interessante da moda: podem existir milhares de formas de se expressar, mas nenhuma é mais instigante que a do nosso próprio corpo. Podem ser tão interessantes quanto, mas nunca melhores, não acham?
Na sequência desse raciocínio, o que me instiga na moda também é a possibilidade – ousadia, será? – de se pensar em todas as maneiras possíveis de expressar personalidades. Sei que, como a Lolô explicou no post anterior, moda de passarela não é necessariamente aplicável ao cotidiano. Mas acho válido levar essa discussão além. Mesmo que seja utópico, porque não querer ver a moda desfilada no palco se transpor para a rua?

Björk e o fatídico vestido-cisne. Ninguém acreditou quando o vestido saiu da produção de foto pra realidade do tapete vermelho.
É uma questão que a moda ainda está diluindo, vendo seus limites. E o estilista, como criador disso tudo, se esforça para trazer suas ideias prum mercado mais possível, vendável, sem deixar de “sonhar” com uma moda diferente, a que é desfilada, aparecendo nas ruas.
Eu mesmo me considero “ultrapassado” nesse sentido. Gosto de moda, mas não diria que tenho coragem (ou dinheiro, rs) para ousar no dia a dia. Mas admiro quem consegue superar essa barreira, sabendo que será mais criticado e incompreendido do que admirado ou imitado. De qualquer forma, acho que o lema maior da moda, nesse sentido que estou falando aqui, é o de estar sempre em busca da expressão do próprio corpo, sem medo de ousar, inventar, pensar “fora da caixa”. Será que um dia isso realmente vai acontecer?!










