Novidade! Fashion4Fun no Facebook. Agora ficou mais fácil nos acompanhar. Junte-se a nós!

Alexander McQueen (1967 – 2010)

Hoje a moda definitivamente ficou mais triste. Assim que soube da notícia da morte de Alexander McQueen, me perguntei o que poderia justificar um estilista no auge de sua carreira, no mesmo dia que desfilaria uma coleção na semana de moda de Nova York pela McQ, tomar uma decisão tão radical quanto esta. Especulam que a depressão pela morte da mãe o fez desistir de tudo, ou ainda a morte daIsabelle Blow, em 2007, também por suicídio, sua melhor amiga, mentora, e responsável por mostrá-lo ao mundo quando ele era só um estudante de moda.

Mas o fato é que, por trás de todo o deslumbramento que seus desfiles causavam, sempre mostrou uma sensibilidade fora do comum, principalmente na moda. Não há um desfile que ele tenha feito, seja na sua própria marca, ou no período que trabalhou para a Givenchy, sem ter como insipiração imagens caóticas, apocalípticas, agressivas. De mulheres-palhaço num carrossel dark a imagens subaquáticas de navios naufragados, ele é dos poucos que sempre colocou a criatividade e a necessidade de se expressar na frente do dinheiro, da visão comercial da moda.

http://www.youtube.com/watch?v=AljuaCKjCFM

Cada dia mais a gente vê a discussão se a moda vai trilhar um caminho voltado para o vendável, ou se vai resistir como espaço criativo, sem restrição para o imaginário e o impossível. Pra mim, o Alexander McQueen sempre esteve à frente dos que jamais conseguiriam ver a moda apenas como um comércio. Ele nunca pareceu se limitar  ao padrão, sempre desenhou e executou suas ideias com muita personalidade e força. Não é à toa que ele criticou e alfinetou a Givenchy o tempo todo em que trabalhou lá. Pra muitos estilistas, estar numa maison desse porte já é a glória, mas ele era insatisfeito com as restrições e burocracias que pareciam ser maiores do que a moda que queria criar.

Sua paixão por tecnologia fez com que gastasse fortunas em troca de desfiles exuberantes. Basta ver o último, desfilado em outubro de 2009, para se entender. As câmeras que trasmitiam simultaneamente o desfile na internet e no gigante telão de fundo, mostrava uma coleção que pensava no primitivismo, que queria trazer a sensação de anfíbios que saem da água para viver sobre a terra, dos insetos, das cobras que rastejam. Foi quase unânime o voto do público: o melhor desfile do ano. E não dá pra não falar aqui do dia em que a Kate Moss apareceu no meio da passarela como um holograma. É um momento histórico na moda, que até Hussein Chalayan deve ter morrido de inveja.

Acho – espero – que a gente nunca saiba de fato o que o fez tirar a própria vida. O que dá pra dizer é que tudo isso que ele fez até os 40 anos foi muita coisa, e é muito para um verdadeiro artista, pois só um artista pode ser tão visionário, melancólico, dark, punk, irônico, sarcástico, gênio como ele foi. E sempre soube colocar tudo isso num mesmo projeto, das formas mais inusitadas que a gente podia imaginar.

Você já leu esse post?

No clima da sexta-feira

No clima da sexta-feira

Um comentário para “Alexander McQueen (1967 – 2010)”

  1. McQueen « I know you love me, bitch!

    [...] [...]

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>